Se as pessoas não compram, a economia não
cresce. A partir dessa fala é necessário saber o que é economia. Segundo
Castells (1999), a era da informação, ao final dos anos 60, passa por uma
explosão de movimentos sociais em diversos países do mundo industrializado e,
com isso, há um impacto sobre a economia, a tecnologia e os resultantes
processos de reestruturação com uma crítica à cultura do consumismo e curta
duração dos produtos fabricados.
Muitos exemplos foram apresentados no
decorrer do documentário para mostrar como historicamente evoluiu a
obsolescência programada, que vai desde o caso das lâmpadas, passando pela
invenção do Nylon com a criação de meias com fios de alta resistência e
durabilidade (sonho de consumo de todas as mulheres), que foram “reprogramadas”
para diminuírem a durabilidade, até tempos bem recentes, com o famoso caso da
primeira geração do iPod em que um artista de Nova York pagou US$ 500 por um
iPod cuja bateria parou de funcionar oito meses depois e, quando foi reclamar,
a resposta da Apple foi de que valeria a pena comprar um novo. O caso gerou
passeata e ação coletiva na justiça (SILVA, 2012).
Sobre, por exemplo, na produção de
lâmpadas a intenção principal não era controlar a produção e sim o consumidor.
Queriam que as pessoas comprassem lâmpadas constantemente, como é falado no
próprio documentário. Se durassem muito, era prejuízo para a fábrica. Em 1871
houve numerosas experiências acerca de menor durabilidade e em 1924, quando se
fundou o cartel de Phoebus anunciava 2500 horas de vida útil das lâmpadas. Mais
adiante encontraram documentos ocultos que comprometiam as fabricantes de
lâmpadas, como a Philips, a Osram e a Teta já abordando as novas normas das
1000 horas.
Em 1928 uma notícia de jornal já dizia:
“um artigo que não se desgasta é uma tragédia para os negócios”. Com a produção
em massa, abaixaram os preços, ficando os produtos mais acessíveis para todos.
As pessoas começaram a comprar mais por diversão do que pela necessidade. A
economia aumentou. A crise da bolsa de valores de 1929 abrandou o consumo e
levou os EUA a uma recessão econômica. Em 1933 um quarto da população estava
desempregada. As grandes filas já não eram para consumir, para a garantia do
consumo essencial que é comida pedir uma oportunidade de emprego.
Bernard London, um grande investidor
imobiliário, sugeriu sair da depressão para dar papel obrigatoriamente a
obsolescência programada. Recém apresentada por escrito, defendia a vida útil
limitada a todos os produtos, colocando uma data de validade. Após esse prazo,
seriam destruídos pela agência do governo.
A partir daí começara a aparecer um
desenho da Brook Stevens sobre modernidade e velocidade. Até a sua casa era
incomum. Todos acreditavam de se tratar de uma estação de autocarros, porque
não parecia uma casa tradicional. Tinha que ter uma visão que impulsionasse a
comprar. O design e o marketing seduziam o consumidor para que adquirisse o
último modelo. Esse fato lembra nos dias de hoje, ao comprar uma impressora que
tem um certo tempo de vida apresenta um defeito e ao apresentá-la para a
assistência técnica descobrimos que uma de sus peças não se fabrica mais, ou
seja, ficou obsoleto, sem conserto. Assim, a obsolescência programada não
frustrou apenas os engenheiros, mas também os consumidores. Em “A morte do
caixeiro viajante” fez eco na peça teatral apresentada: “uma luta contra a
corrente”. E hoje temos, por exemplo
outros exemplos como: “ A bateria não substituível do meu IPod dura apenas 18
meses”. Um tratado internacional proíbe enviar resíduos eletrônicos para o
terceiro mundo. Porém os comerciantes usam truques simples, como declará-los
produtos de segunda mão. Mais de 80% desses produtos que chegam ao Gana não
podem ser consertados e encerram seu ciclo abandonados em lixeiras por todo o
país. Em uma vegetação de mata, por exemplo, as folhas caídas e galhos no chão
são nutrientes para outros organismos, bem diferente dos resíduos eletrônicos,
que contaminam o solo, a água e até mesmo o ar. A natureza não produz resíduos,
só nutrientes.
Cabe a sociedade contemporânea incentivar
o uso de produtos biodegradáveis, apoiar as fábricas sustentáveis, praticar o
reuso, a reciclagem, a redução do consumo, a reutilização de recursos
renováveis e repensar nas possibilidades que garantam vida as gerações futuras.
Agir com a pegada ecológica, uma boa relação da sociedade com a terra. Nunca é
o fim, pois está faltando ainda nossa participação enquanto homens e mulheres
conscientes e felizes, incentivadores de projetos, atitudes e produtos
sustentáveis.
Referência:
Castells, R Espanha - 1999
Disponível em: https://s3.amazonaws.com/academia.edu.documents/36873093/77164512-A-era-da-informacao-Manuel-Castells.pdf?response-content-disposition=inline%3B%20filename%3DA_era_da_Informacao.pdf&X-Amz-Algorithm=AWS4-HMAC-SHA256&X-Amz-Credential=AKIAIWOWYYGZ2Y53UL3A%2F20190824%2Fus-east-1%2Fs3%2Faws4_request&X-Amz-Date=20190824T032008Z&X-Amz-Expires=3600&X-Amz-SignedHeaders=host&X-Amz-Signature=0f2297644aba879df7af290c26a8faa4b0d6fe2038f16ebedb2052e3fa671a31
OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA E TEORIA DO
DECRESCIMENTO VERSUS DIREITO AO DESENVOLVIMENTO E AO CONSUMO
(SUSTENTÁVEIS) Veredas
do Direito, Belo Horizonte, v.9 n.17 p.181-196 Janeiro/Junho de 2012
Em sala de aula, os professores das disciplinas diversas podem trabalhar com os alunos nas propostas sobre o consumismo, produção X lixo, problemas de saúde ocasionados pela destinação incorreta de resíduos, locais da região onde mora que possuam alguma central de tratamento de resíduos, desmatamento X produção X transformação de matéria primas, levantamento bibliográfico de autores que fizeram pesquisas na área, gráficos sobre o aumento cibernético no mundo, pesquisas sobre a economia relacionado a diversas áreas (economia na história brasileira, economia e legislação, economia e saúde, economia e educação).
Em sala de aula, os professores das disciplinas diversas podem trabalhar com os alunos nas propostas sobre o consumismo, produção X lixo, problemas de saúde ocasionados pela destinação incorreta de resíduos, locais da região onde mora que possuam alguma central de tratamento de resíduos, desmatamento X produção X transformação de matéria primas, levantamento bibliográfico de autores que fizeram pesquisas na área, gráficos sobre o aumento cibernético no mundo, pesquisas sobre a economia relacionado a diversas áreas (economia na história brasileira, economia e legislação, economia e saúde, economia e educação).
