domingo, 26 de abril de 2020

A obsolescência programada: Se as pessoas não compram, a economia não cresce.





Se as pessoas não compram, a economia não cresce. A partir dessa fala é necessário saber o que é economia. Segundo Castells (1999), a era da informação, ao final dos anos 60, passa por uma explosão de movimentos sociais em diversos países do mundo industrializado e, com isso, há um impacto sobre a economia, a tecnologia e os resultantes processos de reestruturação com uma crítica à cultura do consumismo e curta duração dos produtos fabricados.
Muitos exemplos foram apresentados no decorrer do documentário para mostrar como historicamente evoluiu a obsolescência programada, que vai desde o caso das lâmpadas, passando pela invenção do Nylon com a criação de meias com fios de alta resistência e durabilidade (sonho de consumo de todas as mulheres), que foram “reprogramadas” para diminuírem a durabilidade, até tempos bem recentes, com o famoso caso da primeira geração do iPod em que um artista de Nova York pagou US$ 500 por um iPod cuja bateria parou de funcionar oito meses depois e, quando foi reclamar, a resposta da Apple foi de que valeria a pena comprar um novo. O caso gerou passeata e ação coletiva na justiça (SILVA, 2012).
Sobre, por exemplo, na produção de lâmpadas a intenção principal não era controlar a produção e sim o consumidor. Queriam que as pessoas comprassem lâmpadas constantemente, como é falado no próprio documentário. Se durassem muito, era prejuízo para a fábrica. Em 1871 houve numerosas experiências acerca de menor durabilidade e em 1924, quando se fundou o cartel de Phoebus anunciava 2500 horas de vida útil das lâmpadas. Mais adiante encontraram documentos ocultos que comprometiam as fabricantes de lâmpadas, como a Philips, a Osram e a Teta já abordando as novas normas das 1000 horas.
Em 1928 uma notícia de jornal já dizia: “um artigo que não se desgasta é uma tragédia para os negócios”. Com a produção em massa, abaixaram os preços, ficando os produtos mais acessíveis para todos. As pessoas começaram a comprar mais por diversão do que pela necessidade. A economia aumentou. A crise da bolsa de valores de 1929 abrandou o consumo e levou os EUA a uma recessão econômica. Em 1933 um quarto da população estava desempregada. As grandes filas já não eram para consumir, para a garantia do consumo essencial que é comida pedir uma oportunidade de emprego.
Bernard London, um grande investidor imobiliário, sugeriu sair da depressão para dar papel obrigatoriamente a obsolescência programada. Recém apresentada por escrito, defendia a vida útil limitada a todos os produtos, colocando uma data de validade. Após esse prazo, seriam destruídos pela agência do governo.
A partir daí começara a aparecer um desenho da Brook Stevens sobre modernidade e velocidade. Até a sua casa era incomum. Todos acreditavam de se tratar de uma estação de autocarros, porque não parecia uma casa tradicional. Tinha que ter uma visão que impulsionasse a comprar. O design e o marketing seduziam o consumidor para que adquirisse o último modelo. Esse fato lembra nos dias de hoje, ao comprar uma impressora que tem um certo tempo de vida apresenta um defeito e ao apresentá-la para a assistência técnica descobrimos que uma de sus peças não se fabrica mais, ou seja, ficou obsoleto, sem conserto. Assim, a obsolescência programada não frustrou apenas os engenheiros, mas também os consumidores. Em “A morte do caixeiro viajante” fez eco na peça teatral apresentada: “uma luta contra a corrente”.  E hoje temos, por exemplo outros exemplos como: “ A bateria não substituível do meu IPod dura apenas 18 meses”. Um tratado internacional proíbe enviar resíduos eletrônicos para o terceiro mundo. Porém os comerciantes usam truques simples, como declará-los produtos de segunda mão. Mais de 80% desses produtos que chegam ao Gana não podem ser consertados e encerram seu ciclo abandonados em lixeiras por todo o país. Em uma vegetação de mata, por exemplo, as folhas caídas e galhos no chão são nutrientes para outros organismos, bem diferente dos resíduos eletrônicos, que contaminam o solo, a água e até mesmo o ar. A natureza não produz resíduos, só nutrientes.
Cabe a sociedade contemporânea incentivar o uso de produtos biodegradáveis, apoiar as fábricas sustentáveis, praticar o reuso, a reciclagem, a redução do consumo, a reutilização de recursos renováveis e repensar nas possibilidades que garantam vida as gerações futuras. Agir com a pegada ecológica, uma boa relação da sociedade com a terra. Nunca é o fim, pois está faltando ainda nossa participação enquanto homens e mulheres conscientes e felizes, incentivadores de projetos, atitudes e produtos sustentáveis.


Referência:
Castells, R Espanha - 1999

Disponível em: https://s3.amazonaws.com/academia.edu.documents/36873093/77164512-A-era-da-informacao-Manuel-Castells.pdf?response-content-disposition=inline%3B%20filename%3DA_era_da_Informacao.pdf&X-Amz-Algorithm=AWS4-HMAC-SHA256&X-Amz-Credential=AKIAIWOWYYGZ2Y53UL3A%2F20190824%2Fus-east-1%2Fs3%2Faws4_request&X-Amz-Date=20190824T032008Z&X-Amz-Expires=3600&X-Amz-SignedHeaders=host&X-Amz-Signature=0f2297644aba879df7af290c26a8faa4b0d6fe2038f16ebedb2052e3fa671a31

OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA E TEORIA DO DECRESCIMENTO VERSUS DIREITO AO DESENVOLVIMENTO E AO CONSUMO
(SUSTENTÁVEIS) Veredas do Direito, Belo Horizonte, ž v.9 ž n.17 ž p.181-196 ž Janeiro/Junho de 2012

Em sala de aula, os professores das disciplinas diversas podem trabalhar com os alunos nas propostas sobre o consumismo, produção X lixo, problemas de saúde ocasionados pela destinação incorreta de resíduos, locais da região onde mora que possuam alguma central de tratamento de resíduos, desmatamento X produção X transformação de matéria primas, levantamento bibliográfico de autores que fizeram pesquisas na área, gráficos sobre o aumento cibernético no mundo, pesquisas sobre a economia relacionado a diversas áreas (economia na história brasileira, economia e legislação, economia e saúde, economia e educação).
 


Um pouco do trabalho da Professora Márcia Rostas sobre os professores na atualidade


MÁRCIA ROSTAS é licenciada em Pedagoga (UFMA), Mestre em Economia (UFPE) e Doutora em Linguística e Lingua Portuguesa (UNESP-Araraquara). Lider do GP Discurso Pedagógico. Desenvolve estudos na área da educação básica e Educação a Distância com ênfase na Educação, Trabalho, Cultura e políticas públicas. Articula seus estudos a partir dos pressupostos do materialismo histórico e dialético com base no pensamento marxista. Professor adjunto do Departamento de Graduação e Pós-Graduação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense, campus Pelotas atuando no PPG Educação e Tecnologia. Atua ainda como Coordenadora Pedagógica e Docente na área de Estágio Curricular e Didática na Licenciatura em Computação. Coordena o Curso de Pós-Graduação em Educação, modalidade EaD, no âmbito da Universidade Aberta do Brasil (UAB). Integra o Banco de Avaliadores do INEP.

Um trabalho interessante dela que li sobre a resenha estudada na disciplina Informática e Educação:


ROSTAS, M. H. S. G.. Formação de professores: aspectos de um processo de construção. Itapetininga: Rev. Int. de Form. de Professores (RIFP), v. 4, n.2, p. 169-185, abr./jun., 2019.

Disponível em:


   
   Este artigo de estudo aborda informações sobre as perspectivas da formação de professores na atualidade e sua prática pedagógica. É um trabalho atual que discute o conceito de formação no campo educacional, articula conceitos entre teoria e prática e faz um panorama a respeito da formação na perspectiva refletiva. O artigo foi divido em três partes intituladas: “Construindo uma trajetória (reflexiva) na formação de professores”; “Formação de professor: uma construção nas entrelinhas”; “A formação do professor e as perspectivas no campo de atuação”. Ao novo sujeito implica uma reflexão rica sobre os temas relevantes para a área de formação de professores.
   A formação docente se faz necessária e de extrema importância como um processo amplo e complexo, o qual envolve vários saberes, competências e conhecimentos que vão possibilitar uma base para o profissional que exerce o ofício da docência. Os processos formativos emergem como responsáveis por proporcionar aos educadores essa base para seu exercício profissional, e essa formação inicial não será suficiente para a preparação do educador, pois este deverá aprimorá-la na sua vivência profissional, nas suas experiências como professor e como transformador da realidade educacional em que atua.
  A formação pedagógica traz mais aperfeiçoamento no trabalho docente, propicia condições de refletir na sua prática e a trocar informações com os demais colegas de profissão. A prática reflexiva favorece a construção do saber. Nãos se deve dissociar teoria da prática. O professor se torna protagonista no processo educativo. O espaço pedagógico é um texto para ser constantemente lido, interpretado, escrito e reescrito (FREIRE, 2008). Práticas de compartilhamento e construção coletiva faz com que o trabalho pedagógico, tanto ao docente quanto ao discente seja mais atraente e mais vivenciada no mundo do conhecimento.
Vale ler e conhecer o brilhante trabalho sobre a Formação de professores.